Que os aplicativos mobile transformaram a forma como realizamos inúmeras tarefas rotineiras, não é novidade. Agora, se inúmeros aplicativos independentes tem o poder de mudar o dia a dia de milhares de pessoas, o que um aplicativo que reúne diversas soluções pode fazer?

Esta é a proposta trazida pelos conceituados Super Apps, aplicativos que reúnem as mais diversas soluções dentro de um único ambiente, como delivery, pagamentos, varejo e bate-papo, oferecendo facilidade e praticidade na jornada do usuário mobile.

A tendência surgiu no Oriente, e tudo começou com um simples aplicativo de troca de mensagens por texto e voz, nomeado WeChat. Com mais de 1 bilhão de usuários, o aplicativo é considerado o mais adorado pelos chineses e um dos mais populares do mundo, ficando atrás apenas do WhatsApp com 1,5 bilhão de usuários. Mas diferente do WhatsApp, o WeChat se transformou em muito mais do que um aplicativo de mensagens instantâneas.

E o que parecia ser coisa de outro mundo, não está tão longe de nós assim...

Presença no Mercado: Internacional e Nacional

A Amazon, gigante da tecnologia, anunciou seus planos de se tornar um super app na Índia, mercado promissor para este tipo de estratégia. Com o lançamento de um sistema de compra de voos domésticos e com a aquisição da Tapzo, aplicativo que reúne mais de 35 outros apps, a empresa deixa claro que está cada vez mais próxima de estabelecer seu plano em mercados emergentes.

Já a Rappi, startup colombiana criada em 2015, também tem dado passos largos em direção ao modelo chinês dos super apps. Já encaminhada neste processo, a startup é reconhecida como o Delivery de Tudo, cobrindo restaurantes, mercados, farmácias e quaisquer outras necessidades de produtos e serviços que os usuários tiverem. Até mesmo a busca por imóveis para aluguel temporário, novidade lançada neste ano.

O investimento de 1 bilhão de dólares do SoftBank na Rappi é mais um motivo para ficar de olho nos próximos passos da startup.

O Banco Inter por sua vez, se mostra mais adiantado. Este mês a instituição lançou o seu super app em parceria com mais de 60 varejistas online, oferecendo navegação intuitiva e cashback nas compras realizadas pelo app.

Agora, o aplicativo bancário permite que os usuários utilizem o mesmo aplicativo que usam para gerenciar seu dinheiro, também para efetuar suas compras.

Estes são apenas alguns exemplos de grandes empresas que vem buscam se aventurar no mundo dos super apps. Nomes como Magazine Luiza, Facebook e até mesmo o WhatsApp também estão mirando nesta tendência, e por isso, merecem certa atenção.

Brasil: cenário favorável ou não?

Antes da tendência ganhar espaço na esfera mobile, o mercado de aplicativos já vinha preparando este terreno há um tempo.

A grande adesão dos apps proporcionou um cenário tão promissor para o mercado que inúmeras empresas planejaram entrar nessa onda e fazer parte da vida digital do seu público. O que não planejaram era lidar com a grande oferta das mais variadas funções, serviços e produtos juntamente com a falta de tempo e de armazenamento dos usuários.

O público brasileiro, mesmo que seja aberto a downloads e a novas experiências, preza por conveniência e armazenamento, características importantes para mercados emergentes, nos quais normalmente a grande maioria dos smartphones é simples.

Só permanecem em suas telas aqueles aplicativos que mostrarem relevância. O download não é visto como o problema maior. Usuários até baixam o aplicativo, mas muitas vezes desinstalam, como mostram os dados da AppsFlyer, nos quais o Brasil apresenta ter a segunda maior taxa de desinstalação do mundo.

Em outras situações, os usuários podem até não desinstalar os apps, mas eles ficam lá em suas telas dando retornos muito baixos ou quase nulos. E esse cenário que é desfavorável para os aplicativos, é favorável para os super apps.

A proposta de oferecer uma solução deste porte aos usuários desperta olhares dos grandes players do mercado. Praticidade para ter várias soluções em uma mesma plataforma e conveniência para não realizar inúmeros cadastros em vários aplicativos.

Considerando a velocidade com que flui a jornada do usuário, fica claro o valor de aplicações como esta. Voltar suas estratégias e esforços para oferecer uma plataforma “multi experiência” focada na praticidade e comodidade tende a ser o novo direcionamento deste mercado, e por isso, veremos aplicativos de e-commerce, mobilidade, comunicação e fintechs disputarem pelo posto de super apps.

Mas vale ressaltar: aplicações como esta exigem uma arquitetura robusta que tenha a capacidade de comportar seu crescimento prezando pela experiência do usuário. Assim, terá a maior probabilidade de sucesso quem oferecer experiência, conveniência, praticidade, e é claro, confiabilidade.